Namorar e Ver TV

Pedir permissão ao meu pai para namorar e assim a gente iria sentar no sofá, namorar e ver TV.

Meu pai já foi para o plano espiritual há mais de 30 anos … então já sabem … esta história é bem antiga … aconteceu faz quase 50 anos.

E como eu lembro? Sim, com o Facebook vamos reencontrando amigos de longa data … alguns, os quais nem imaginávamos rever nesta vida.

Rever nesta vida?

Sim, escutei de uma amiga 40 anos depois num abraço explosivo de alegria – achei que a gente nunca mais ia se ver nesta vida. Emocionada correspondi e assim compartilhamos as emoções do reencontro.

E esse voltar à juventude longíqua seja on-line ou presencialmente em lugares que vivemos, permite que blocos de memórias acinzentados pelo tempo ganhem cor e as histórias antigas piscam, espiam, olham ao redor e afloram.

Talvez venham um pouco reconstruidas, remoldadas, enfeitadas e bordadas sob o olhar da madureza ou porque alguns bits mudaram de estado.

E o namorar no sofá?

Pois é, tive um namoradinho, acho que eu tinha uns 15 anos e ele uns 17. Eu me sentia o máximo em namorar um menino um pouco mais velho. E ele um pão … como dizíamos na época.

Ele tinha um monte de irmãos. E um deles namorava no sofá da sala vendo TV. E assim, inspirado na história feliz irmão ele tinha o mesmo sonho. Natural … pois mais que briguemos … costumeiramente os familiares mais próximos são nossos primeiros ídolos.

Falar com o meu pai

Cidade pequena, a gente namorava caminhando do Jardim da Igreja para a Pracinha Central e indo e voltando … trocando às vezes pela calçada do outro lado. Arriscávamos alguns beijinhos em algum banco de uma das praças.

Depois ele me acompanhava até em casa. Bem, mas era só até a esquina.

Cerimoniosamente

E uma noite … cerimoniosamente falou para mim, mas sem se ajoelhar. Olhou nos meus olhos profundamente apaixonado e falou que iria pedir permissão para o meu pai para namorarmos em casa.

Pois, assim poderíamos sentar no sofá da minha casa e ver TV.

Despedi-mo-nos. E segui para casa ainda meio atordoada com a intenção.

Há uns cinco anos nos encontramos na Festa do Arroz. As lembranças vieram, e o sentimento é de uma amigo querido que um dia viajamos no mesmo Vagão da Vida, sem qualquer arroubo de paixão, apenas a alegria da vida vivida.

Em Casa

Entrei em casa silenciosamente para evitar acordar minha mãe, avó, pai, três irmãos e uma irmã. Uma casa de uns 70 metros quadrados para oito pessoas. Sim, era meio apertado.

Na sala uma mesa e duas ou três cadeiras. Nos dois quartos um amontoado de camas, um banheiro e uma pequena cozinha. Saindo da porta da cozinha tinha uma cobertura com uma rede, que onde ficávamos na maior parte do tempo.

Sala sem sofá e sem TV, então no dia seguinte acabei o namoro.

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Maria Rita Hurpia
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