Trabalho Infantil

Acho que o combate público ao trabalho infantil é recente. Entretanto, o combate silencioso e a compaixão sempre existiram, apesar de tanta maldade no mundo.

Nós tínhamos seis anos

Esta história me foi contada há uns cinco (5) anos por uma amiga de apelido Santa. Aconteceu quando tínhamos uns seis (6) anos. Fiquei surpresa, pois é uma face da minha mãe, que eu desconhecia.

Eu era arteira

Minha mãe sempre dizia que eu era arteira. E por isso contratava a Santa para cuidar e brincar comigo. Eu achava engraçado, porque tínhamos a mesma idade. E sempre achei que ela estava brincando. E a Santa dizia que era minha babá.

Santa era a babá

A irmã da Santa também era contratada para brincar com minha irmã e são ambas mais novas que eu.

Crescíamos juntas e as meninas sempre estavam lá em casa para brincar conosco. Eu adorava. E sempre achei que essa história era uma brincadeira da minha mãe para eu me comportar.

A infância ficou longe

Os anos passaram … saímos de Biguaçu … em 1969 migramos para a Terra Prometida … virei paulista …

E as brincadeiras ficaram só na lembrança … bem esmaecidas …

A vida corre

A vida avança. A gente estuda. Casa. Tem filhos. A vida corre. A vida passa. A vida permite. E no envelhecer vem a saudade. E a gente posterga. Mas um dia me permiti.

Voltei

Voltei para passear em Santa Catarina. Já neste século. Já com filhos … e tive o prazer de reencontrar a Santa depois de uns 40 anos longe.

A amizade retumbou

Parece que nunca nos afastamos, pois a amizade retumba em nossos corações … e falamos muito … e rimos muito … e contamos histórias … e gargalhamos … momentos que são presentes dos céus.

Trabalho infantil

E um dia … a Santa … com os olhos marejantes contou

A gente com cinco anos ia trabalhar na roça … aprendi a capinar e andar ao mesmo tempo. Acho. Desde sempre eu e meus irmãos íamos capinar na roça.

E d. Adelaide tinha dó da gente. Ela dava um dinheiro para os meus pais pra gente brincar com vocês. E assim ela tirava a gente de ficar capinando no sol quente.

Eu nunca imaginara …

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Maria Rita Hurpia
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